Cirurgia corretiva de visão, Lasik é alvo de contestações


segunda-feira maio 5, 2008

Aclamada por médicos e pacientes como uma cirurgia com excelentes resultados em pessoas com miopia, hipermetropia ou astigmatismo, a operação conhecida como Lasik também é alvo de contestações. Algumas entidades e pacientes reclamam que há chances consideráveis de a cirurgia não produzir os efeitos desejados, além do risco de seqüelas.


O último órgão a propor uma discussão sobre a cirurgia foi o FDA, agência que regula o setor de saúde nos EUA –onde o Lasik é usado desde 1998. O órgão iniciou audiências públicas em abril para debater a técnica e prepara um estudo para entender melhor quem tem maus resultados e se será necessário emitir um alerta.


“Há claramente um grupo não satisfeito e que não consegue o resultado esperado”, disse Daniel Schultz, chefe de procedimentos médicos do FDA.


Uma das entidades que lutam por restrições à técnica está na internet. O site www.lasikdisaster.com reúne estudos e depoimentos contra o Lasik, afirmando que ele pode ter “conseqüências desastrosas”. Pacientes contam que ficaram com seqüelas, principalmente olho seco ou perda de visão. Nos estudos disponibilizados, tenta-se comprovar os riscos. Um deles defende que até 60% dos pacientes podem ter olho seco após a operação.


Outro argumento é o desconhecimento dos efeitos a longo prazo, já que o Lasik passou a ser usado apenas nos anos 90. Desde então, ele se popularizou e se tornou uma ferramenta usada em mais de um milhão de pessoas por ano no mundo, segundo sites médicos.


O Lasik consiste no corte de uma fina camada da córnea que permite a passagem do laser. Ele remodela a córnea seguindo um mapa feito com informações colhidas anteriormente sobre o olho do paciente e o que precisa ser alterado.


Hamilton Moreira, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, diz que, considerando os limites do laser, a cirurgia tem resultados “extremamente bons” quando bem indicada. “Tudo, em medicina, é uma relação entre expectativa e realidade. O que aconteceu nos primeiros anos do Lasik foi uma expectativa de supervisão, como um verdadeiro milagre, mas, depois, o paciente percebia que havia limitações.”


Entre elas, o grau do problema: pessoas com mais de sete graus de miopia, por exemplo, não costumam receber a indicação.


Moreira, que diz considerar-se um entusiasta do Lasik, afirma que as complicações verificadas em sites com o “lasikdisaster” estão relacionadas à enorme quantidade de pacientes submetidos à cirurgia.


“É uma das operações mais feitas no mundo. Por isso, é claro que tem também um número maior de complicações, inerentes a qualquer cirurgia.”


Ele diz, entretanto, que a cirurgia alcançou um grau de segurança bastante alto e que ela já não é feita em tantos pacientes como nos primeiros anos.


“Hoje se faz menos e com mais segurança. O sistema ficou todo computadorizado. O médico não precisa mais digitar no computador o grau de miopia do paciente, por exemplo. Isso é automático”, diz.