Cientistas desfazem mitos da crença popular


terça-feira dezembro 23, 2008

Comer à noite não engorda mais do que comer a qualquer outra hora do dia, segundo um artigo publicado nesta semana pela publicação científica “British Medical Journal” em que dois pesquisadores derrubam alguns dos mitos associados a esta época do ano.



Os autores Rachel C. Vreeman e Aaron E. Carroll analisaram várias pesquisas por trás desses mitos, para provar que, na verdade, muitos não têm fundamento científico.



Para contestar o mito de que comer à noite engorda mais, eles citam o resultado de uma pesquisa realizada na Suécia com 177 mulheres.



Ela constata que as mulheres obesas comem mais à noite do que as não obesas, e que isso ocorre simplesmente porque elas faziam mais refeições.



Outro mito derrubado foi o de que há uma cura para ressaca. Bananas, aspirina, e até uma cerveja são recomendados para combater os efeitos do excesso de álcool no temido “dia seguinte”.



Mas, depois de consultar várias pesquisas dedicadas ao assunto, Vreeman e Carroll concluíram que a única forma de evitar a ressaca é bebendo com moderação.



Evidências



A intenção do artigo é lembrar os leitores que muitas vezes crenças comuns no campo da saúde não estão baseadas em nenhuma evidência científica –e mostrar alguns exemplos.



Outro mito derrubado foi o de que açúcar deixa as crianças hiperativas, um pesadelo para muitos pais. “Independente do que os pais acreditam, no entanto, o açúcar não é responsável pelo descontrole dos pequenos”, diz o artigo.



Pelo menos 12 estudos já foram feitos para examinar como as crianças reagem ao açúcar e nenhum deles conseguiu detectar qualquer diferença de comportamento. Os estudos incluíam açúcar na forma de doces, balas, chocolates e fontes naturais.



“Os cientistas até estudaram como os pais reagem ao mito do açúcar. Quando os pais acreditam que seus filhos tomaram bebida com açúcar, eles avaliam o comportamento dos filhos como mais hiperativo. A diferença no comportamento das crianças está na cabeça dos pais.”



Além disso, os autores derrubaram o mito de que o número de suicídios aumenta na época das festas, de que a poinséttia –planta de folhas verdes e vermelhas, usada na decoração nesta época do ano, principalmente no hemisfério norte– é tóxica, ou de que usar chapéu é fundamental para manter o corpo aquecido porque a cabeça é a parte do corpo que mais libera calor.



“Até uma manual de sobrevivência no campo do Exército americano recomenda cobrir a cabeça no tempo frio porque de 40% a 45% do calor do corpo é perdido pela cabeça”, dizem os autores.



Segundo Vreeman e Carroll, a orientação é fruto de uma experiência com soldados no Ártico, que estavam vestidos, mas sem chapéu, onde foi medida a perda de calor.



“Especialistas dizem, no entanto, que se essa experiência tivesse sido feita com voluntários usando trajes de banho, eles não teriam perdido mais do que 10% de seu calor.”



O calor do corpo, dizem os autores, é liberado proporcionalmente por todas as partes do corpo descobertas.