Gripe suína – folheto para leigos


quarta-feira fevereiro 24, 2010

No final de março de 2009, foi detectada no México uma epidemia causada por um subtipo do vírus influenza, o vírus da gripe. A doença causada pelo Influenza A H1N1, batizada de Gripe Suína, rapidamente se espalhou pelo resto do mundo. Em 11 de junho de 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a nova gripe uma pandemia.


O vírus Influenza A H1N1 não é novo: ele foi identificado em seres humanos pela primeira vez em 1974, e existem relatos de sua identificação em porcos ainda no começo do Século XX.


Como o vírus é transmitido?


Uma vez que o vírus influenza é eliminado pelas pessoas infectadas em suas secreções respiratórias, a transmissão pode ocorrer através de tosse, espirros e contato com superfícies contaminadas por estas secreções. A partir de análises do curso da epidemia, a OMS acredita que a transmissibilidade do vírus influenza A H1N1 é bem maior que de outros tipos de vírus da mesma família.


Por tratar-se de uma epidemia nova, faltam informações sobre alguns pontos-chave. Por exemplo: ainda não se sabe quanto tempo o vírus permanece incubado antes de manifestar-se na forma de doença. Os especialistas acreditam que este tempo possa variar de 1 a 7 dias.


Pessoas com sintomas de gripe suína podem ser capazes de transmitir a doença desde o dia anterior ao surgimento dos primeiros sintomas, mantendo este estado até o desaparecimento da febre. Contudo, novamente, por não se conhecer todos os detalhes do vírus e para diminuir o risco de contágio, recomenda-se um período de isolamento até 7 dias após o início da doença .


Quais os sintomas mais comuns?


Os sinais e sintomas da infecção pelo vírus H1N1 são similares aqueles da gripe sazonal comum, exceto pelo fato da gripe H1N1 apresentar uma incidência maior de alterações gastrintestinais, como náuseas, vômitos e diarréia.


As manifestações mais comuns incluem febre, tosse, dor na garganta, inapetência e dor de cabeça. Calafrios, dores musculares e articulares também podem ocorrer. Nos casos mais graves, podem ser observados aumento da frequência respiratória, rouxidão dos lábios e das extremidades, desidratação, confusão mental e irritabilidade extrema.


O risco de complicações potencialmente graves são maiores em crianças com menos de 5 anos de idade, gestantes e pessoas portadoras de enfisema pulmonar, asma, doenças imunossupressoras, doenças cardíacas, diabetes e obesidade.


Apesar das pessoas com mais de 60 anos serem consideradas como de maior risco para complicações da gripe H1N1, casos graves de gripe suína nesta faixa etária têm sido raros – possivelmente como resultado de uma imunidade pré-existente desenvolvida na década de 1950, durante uma epidemia de gripe causada por vírus similares ao H1N1.


Quando procurar um médico?


Mais de 90% dos casos de gripe suína podem ser tratados em casa com sintomáticos, hidratação oral e repouso. Menos de 5% dos casos terminam necessitando hospitalização, em geral em decorrência de pneumonia e desidratação. Ainda assim, é recomendável procurar avaliação médica caso você esteja apresentando qualquer dos sintomas de gripe descritos anteriormente.


Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico definitivo de gripe suína é feito utilizando um teste chamado PCR-transcriptase reversa em tempo real. Mas nem todas as pessoas suspeitas precisam ter o diagnóstico confirmado, especialmente se as manifestações da doença forem leves ou se o indivíduo reside em uma área com casos confirmados. A indicação para o teste dependerá da presença de fatores de risco e da gravidade das manifestações da gripe.


Como a gripe suína é tratada?


Atualmente, todo caso de gripe deve ser considerado um caso de gripe suína até prova em contrário, e o tratamento inicial consiste em remédios sintomáticos (para aliviar a febre, o mal-estar, a tosse, a congestão nasal, etc), hidratação oral e repouso.


De acordo com a OMS, os medicamentos antivirais oseltamivir e zanamivir, em testes iniciais mostraram-se efetivos contra o vírus H1N1.


Como evitar?


Ter hábitos de higiene regulares, como lavar as mãos, é uma das formas de prevenir a transmissão da doença. Além disto, deve-se evitar o contato das mãos com olhos, nariz e boca depois de tocar em superfícies, usar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar, evitar aglomerações e ambientes fechados e ter hábitos saudáveis como hidratação corporal, alimentação equilibrada e atividade física. Caso ocorra a contaminação, o paciente deve evitar sair de casa até cinco dias após o início dos sintomas, pois este é o período de transmissão da gripe A.


Algumas organizações religiosas também orientaram aos fiéis evitar abraços, apertos de mãos ou qualquer outro tipo de contato físico para impedir a dispersão do vírus durante os cultos religiosos.


Existe uma vacina contra a gripe suína?


Existe uma vacina para porcos, mas nenhuma para humanos. A vacina contra a gripe “convencional” oferece pouca ou nenhuma proteção contra o vírus H1N1. O Japão anunciou que pretende desenvolver uma vacina eficaz e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) vem investigando formas de tratamento. O Instituto Butantan, em São Paulo, está colaborando com a Organização Mundial de Saúde em uma pesquisa para elaborar uma vacina contra a gripe suína e prevê finalizar o processo dentro de quatro a seis meses.