Catapora em adultos


terça-feira abril 8, 2008

A doença, causada pelo vírus Varicela-zoster e, por isso, também chamada varicela, é mais rara em adultos. “Cerca de 90% das pessoas têm a catapora ainda na infância, entre 2 e 8 anos”, conta a pediatra Mônica Levi, do setor de vacinação da Clínica Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias e em Imunizações, a Cedipi, em São Paulo. Aliás, segundo a especialista, como a doença às vezes é assintomática, muitos adultos nem desconfiam que tiveram o problema quando pequenos. As feridinhas poderiam ser confundidas com picadas de inseto e a febre, considerada apenas ocasional.


Mas os médicos constatam que, ao se manifestar no indivíduo adulto, o vírus consegue causar mais complicações. “Ao comparar com a catapora na criança, observamos que nos adultos aparecem mais lesões”, diz Mônica. Além das feridinhas espalhadas pelo corpo, outros sintomas que acometem os pequenos, como febre alta, fadiga, falta de apetite e dor de garganta, também dão as caras nos mais velhos. Num quadro de varicela, o organismo também se torna alvo fácil de outros microorganismos, sobretudo das bactérias. Elas podem ser responsáveis por infecções de pele, além de otites e sinusites.


As complicações mais sérias, no entanto, ocorrem quando o Varicela-zoster migra para órgãos estratégicos como os pulmões ou o cérebro. Pneumonias aparecem como decorrência da catapora por duas razões: ou o vírus venceu a resistência e invadiu o pulmão ou, como o corpo está mais suscetível, bactérias conseguem desencadear a infecção. A ameaça ao cérebro é gravíssima. Embora seja mais difícil de acontecer, o vírus pode atacar o encéfalo causando dores de cabeça, febres, vômitos e convulsões – sintomas parecidos com os da meningite. E esse perigoso ataque ao cérebro é capaz de deixar seqüelas, já que as lesões causam paralisias e distúrbios motores.


A lista de encrencas derivadas da doença é grande. Entre as complicações mais raras, dá para destacar hepatites, pancreatites e até infecções na retina. Nos imunodeficientes, como portadores de HIV ou pessoas com câncer, a varicela deve acionar todos os alertas.


Doença na mira


Se não pode ser destruído de uma vez por todas, ao menos é possível manter o Varicela-zoster inativo, calado no seu canto – no caso, os gânglios nervosos. Para combater a catapora nos adultos, os médicos se valem de remédios que dão um basta nos sintomas. Receitam antialérgicos para acabar com as coceiras nas lesões de pele e antitérmicos para abaixar possíveis febres. Os antivirais só entram em ação nos pacientes imunodeficientes.


Mas e a vacina? Embora se destine à criançada, o imunizante pode ser aplicado nos adultos saudáveis. São duas doses complementares que devem ser tomadas num intervalo de um a dois meses. De acordo com Mônica Levi, as chances de um adulto vacinado ter a doença e suas complicações caem bastante – a proteção é de 90%. E, se mesmo com a vacina o vírus se manifestar, os sintomas da catapora aparecerão de forma atenuada. “Prevenindo a catapora, indiretamente se previne o herpes-zóster, a reativação do vírus”, diz o infectologista Roberto Florim, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo.